Por que o personagem Snoopy aparece nos relógios da Omega? E por que uma marca suíça de relógios acabou indo parar na Lua?
A resposta passa menos por marketing e muito mais por segurança, redundância e decisões tomadas quando o erro simplesmente não era uma opção.
No auge da corrida espacial, a NASA precisava garantir que cada missão tivesse camadas reais de proteção. Computadores de bordo eram revolucionários, mas instáveis. Interfaces falhavam. Energia podia acabar. Em um ambiente desses, depender de um único sistema era um risco inaceitável. A solução foi clara. Tudo o que fosse crítico deveria ter backup. Inclusive o tempo.
Após uma bateria rigorosa de testes, a agência adotou o Omega Speedmaster como relógio oficial das missões tripuladas. Não por ser elegante, mas por resistir a calor extremo, frio intenso, vibração, impactos e vácuo. O Speedmaster era mecânico, independente de bateria, software ou sinal externo. Funcionava quando todo o resto podia falhar.
Na Apollo 11, esse conceito saiu do papel e foi literalmente para a superfície lunar. Durante a caminhada na Lua, Buzz Aldrin usava o relógio por cima do traje espacial. Ele não estava ali como acessório. Era uma redundância crítica. Caso o computador de bordo apresentasse problemas, procedimentos essenciais como queima de motores, controle de oxigênio e sincronização de manobras dependiam de medições precisas de tempo. Um erro de segundos poderia comprometer o retorno à Terra.
É nesse ponto que o Snoopy entra na história. Dentro da NASA, o personagem foi adotado como símbolo da cultura de segurança. Vigilância constante, atenção aos detalhes e coragem para interromper uma operação quando algo não parecia certo. O Silver Snoopy Award passou a ser concedido a pessoas e empresas que contribuíram de forma excepcional para a segurança das missões. Não é um prêmio corporativo comum. Ele é entregue por astronautas, para quem esteve diretamente envolvido em garantir que todos voltassem vivos.
Décadas depois, a Omega recebeu esse reconhecimento. O Snoopy estampado nos relógios celebra exatamente isso. O papel silencioso de um equipamento simples, mas decisivo, dentro de um sistema extremamente complexo. Não é nostalgia. É memória operacional.
A presença do Snoopy nos Speedmaster lembra uma lição central da exploração espacial. Segurança não nasce da sofisticação isolada, mas da redundância bem pensada. Alta tecnologia e soluções analógicas convivendo lado a lado. Quando tudo funciona, ninguém percebe. Quando algo falha, o backup salva a missão.
Talvez seja por isso que essa história continue tão atual. Em ambientes críticos, confiar apenas no mais moderno é arriscado. Confiar em camadas, em alternativas e em soluções robustas é o que permite ir à Lua e voltar. Às vezes, essa segurança cabe no pulso.