Se a informação é abundante, para que serve a educação?
Essa foi uma das perguntas que o SXSW 2026 levantou e nos fez refletir.
O maior risco hoje não é a IA. É a falta de imaginação coletiva.
Na sessão “Estratégia nos Tempos de Caos: Imaginando Futuros da Educação”, no SXSW 2026, Lyn Jeffery e Maisha T. Winn falaram sobre o futuro da educação em um mundo caótico.
Uma veio do Institute for the Future. A outra trouxe o que o futurismo tradicional ignora: comunidades marginalizadas já estiveram no futuro antes e já sobreviveram a ele.
O diagnóstico delas vai muito além da educação. Os dados mostram:
mais pessoas têm diploma do que nunca, os salários seguem estagnados e o retorno econômico do ensino superior continua caindo.
A narrativa sobreviveu, mas a promessa não acompanhou.
Se a IA já organiza, resume e entrega qualquer conteúdo em segundos, educação não pode mais ser memorizar ou acumular informação. Ela precisa formar identidade, desenvolver julgamento e construir propósito. É uma mudança de função que poucas instituições ainda tiveram coragem de fazer.
Educação deixando de ser instrumento de status para virar instrumento de sentido.
Para navegar o caos, elas propõem desenvolver foresight, pensamento de futuros que exige duas habilidades ao mesmo tempo: improvisar bem no presente e imaginar futuros possíveis antes que eles cheguem como problema. A maioria das organizações está ficando cada vez melhor em reagir e cada vez mais fraca em imaginar.
A segunda pesquisadora virou o debate de cabeça para baixo ao propor outro tipo de inteligência ancestral, antiga, arquivística, que não é algoritmo, mas memória coletiva ativada como estratégia.
O que é dito faz muito tempo por Ailton Krenak, o futuro é ancestral. A tese dela é direta: o futuro não nasce só no laboratório do Vale do Silício.
Ele nasce também na luta social de quem já viveu futuros extremos e precisou criar soluções sem manual.
O maior risco hoje não é a IA, é a falta de imaginação coletiva.
As grandes crises do nosso tempo, sejam elas climáticas, políticas, econômicas ou educacionais, não são só crises técnicas. São crises de visão de futuro.
E o futuro é sempre construído por quem tem coragem de imaginá-lo antes que os outros percebam que ele já chegou.
Educação precisa ser o lugar onde você aprende a imaginar futuros, reconhecer sinais e construir contexto, em vez de só reagir a ele. Essa é a escola que a gente quer ser.