A Renault Geely do Brasil iniciou, em 15 de setembro, a produção do Geely EX5 EM-i no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná. O híbrido plug-in é o primeiro veículo da Geely fabricado nas Américas. Mas o aspecto mais impressionante talvez seja a velocidade do projeto.
A parceria societária foi formalizada em novembro de 2025. No início de 2026, a fábrica começou a ser modernizada para receber a arquitetura GEA — Global Intelligent Electric Architecture. Em setembro, apenas dez meses depois da formalização, o primeiro modelo já entrou em produção.
A Renault não precisou construir uma fábrica do zero. A Geely, por sua vez, não precisou desenvolver sozinha toda a estrutura industrial, comercial e regulatória necessária para produzir no Brasil. Cada empresa colocou na parceria aquilo que já possuía:
- a Renault, com fábrica, pessoas, fornecedores, conhecimento industrial e presença no mercado brasileiro;
- a Geely, com arquitetura eletrificada, tecnologia e produtos desenvolvidos;
- ambas, com investimentos e uma estratégia comum para acelerar a entrada de novos veículos.
O resultado mostra como as novas alianças estão reduzindo o tempo entre a decisão estratégica e a produção. A fábrica foi preparada para produzir veículos a combustão, híbridos e totalmente elétricos. Em dezembro de 2026, deverá iniciar também a fabricação do Geely EX2 elétrico. Para 2027, está previsto um modelo Renault desenvolvido sobre a mesma arquitetura GEA.
E o APQP? Chegar rapidamente à produção não significa eliminar planejamento, testes ou validações. Significa realizar mais atividades de forma simultânea, reutilizar plataformas já desenvolvidas e integrar antecipadamente engenharia, fornecedores, manufatura e qualidade. Essa velocidade aumenta a importância de gestão rigorosa das mudanças, validação das interfaces entre produto e processo, homologação dos fornecedores locais,
rastreabilidade das versões, controle dos novos componentes eletrônicos e sistemas híbridos, PPAP e validação do processo antes do aumento de volume.
O caso Renault–Geely mostra que as montadoras tradicionais não precisam desenvolver tudo sozinhas para competir em velocidade. Em menos de um ano, uma parceria saiu do contrato e chegou à linha de produção. Na nova indústria automotiva, compartilhar tecnologia e capacidade pode ser mais rápido e mais inteligente do que começar novamente do zero. Vamos acompanhar o resultado.
Fonte: Geely Brasil — início da produção do EX5 EM-i