Quando surgiram as primeiras notícias sobre ratos roendo chicotes elétricos de veículos, muita gente achou que era apenas uma curiosidade. Mas a história chamou a atenção da indústria automotiva. Com a adoção de materiais de origem vegetal em alguns componentes, uma iniciativa alinhada aos objetivos de sustentabilidade, determinadas montadoras passaram a registrar um aumento nos danos provocados por roedores. Em alguns mercados, chegaram até a recomendar sprays à base de pimenta para afastar os animais.
A notícia parece inusitada. Mas ela traz uma das melhores lições sobre FMEA (Failure Mode and Effects Analysis). Quem colocaria “ataque de ratos” em um FMEA? Provavelmente ninguém.
Mesmo com uma equipe multidisciplinar formada por especialistas em engenharia, manufatura, qualidade, assistência técnica, fornecedores e clientes, seria extremamente difícil prever um modo de falha como esse durante o desenvolvimento do produto. E esse é justamente um dos maiores aprendizados da metodologia.
O objetivo do FMEA nunca foi prever absolutamente tudo o que pode acontecer. A análise é construída com base no conhecimento disponível naquele momento: experiência da equipe, histórico de falhas, requisitos do cliente, dados técnicos e lições aprendidas.
Mas o mundo muda. Novos materiais são introduzidos, tecnologias evoluem, hábitos dos consumidores se transformam e surgem situações que simplesmente não existiam quando o FMEA foi elaborado. É por isso que empresas com sistemas de gestão maduros tratam o FMEA como um documento vivo. Cada falha em campo, reclamação de cliente, retorno de garantia, campanha de recall ou evento inesperado deve alimentar novamente a análise de riscos. O conhecimento adquirido passa a integrar os próximos projetos, tornando o FMEA cada vez mais robusto.
O verdadeiro valor do FMEA não está em ser infalível. Está em transformar a experiência do mundo real em conhecimento estruturado para evitar que erros semelhantes voltem a acontecer.
No fim das contas, a maior lição dessa história não é sobre ratos. É sobre organizações que aprendem continuamente.
Sua empresa utiliza as falhas de campo para fortalecer seus FMEAs ou ainda enxerga o FMEA apenas como um documento para atender auditorias e requisitos de clientes? A Setec apoia empresas na implantação do FMEA AIAG & VDA, ajudando equipes a transformar lições aprendidas em análises de risco cada vez mais eficazes.
Referências:
Automotive News. Notícias sobre danos em chicotes elétricos provocados por roedores após a adoção de materiais de origem vegetal.
AIAG & VDA. FMEA Handbook – Failure Mode and Effects Analysis, 1ª edição.
IATF 16949:2016, requisitos relacionados à gestão de riscos, melhoria contínua e lições aprendidas.
AIAG. Core Tools Reference Manuals.
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