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Nissan quer reduzir 40% do tempo de desenvolvimento. E o APQP precisará acompanhar

  • agosto 26, 2026

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Durante décadas, as montadoras tradicionais trabalharam com ciclos de desenvolvimento longos, estruturas especializadas e componentes criados quase exclusivamente para cada veículo. Enquanto isso, fabricantes chinesas passaram a desenvolver automóveis completos em aproximadamente dois anos.

Agora, a Nissan decidiu mudar.

Inspirada pela experiência com a Dongfeng na China, a montadora está implantando globalmente uma estratégia baseada em famílias de produtos. Plataformas, motores, software e componentes serão compartilhados entre diferentes modelos.

A Nissan pretende:

  • reduzir em aproximadamente 40% o tempo de desenvolvimento;
  • diminuir em 70% a variedade de componentes;
  • aplicar a estratégia a cerca de 80% de seu portfólio;
  • reduzir de 50 para 37 meses os projetos com plataformas inéditas;
  • desenvolver modelos derivados em aproximadamente 30 meses.

O principal benchmarking é o Nissan N7, veículo elétrico desenvolvido com a Dongfeng em apenas dois anos.

O APQP conseguirá acompanhar essa velocidade?

Diminuir o ciclo de desenvolvimento também significa reduzir o tempo disponível para APQP, validação, aprovação de fornecedores e preparação da produção.

Mas acelerar não pode significar simplesmente encurtar reuniões, eliminar análises ou antecipar a assinatura dos gates. O APQP precisará funcionar de outra maneira.

Isso envolve engenharia simultânea, participação antecipada dos fornecedores, reutilização de módulos previamente validados, integração digital das evidências e maior conexão entre DFMEA, PFMEA, Plano de Controle, MSA e PPAP.

Com menos componentes e mais compartilhamento entre modelos, a qualidade também enfrenta um paradoxo: a complexidade industrial diminui, mas uma falha comum pode atingir vários veículos, fábricas e mercados ao mesmo tempo.

Por isso, ganham importância a gestão de mudanças, a rastreabilidade das versões, as lições aprendidas, o FMEA reverso e a validação das interfaces entre módulos.

As montadoras tradicionais precisam mudar

O benchmarking chinês não mostra apenas que é possível desenvolver mais rápido. Ele revela que estruturas decisórias complexas, excesso de customização e desenvolvimento sequencial se transformaram em desvantagens competitivas.

A resposta não está em copiar integralmente o modelo chinês, mas em identificar onde a organização está perdendo tempo sem aumentar a qualidade.

Quantos meses são consumidos por aprovações internas? Quantos componentes são desenvolvidos novamente quando poderiam ser reutilizados? Em que momento o fornecedor entra no projeto? Quanto do APQP é prevenção e quanto é preenchimento de documentos?

A estratégia da Nissan ainda precisa demonstrar seus resultados na prática. Entretanto, sua direção é clara: as montadoras tradicionais não podem mais administrar o desenvolvimento com os mesmos processos, estruturas e velocidades do passado.

O desafio não é escolher entre rapidez e qualidade. É construir um APQP capaz de entregar as duas.

Fonte: Nissan leva lições da China para suas operações globais⁠

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Foto de Carlos Eduardo Trimarchi França

Carlos Eduardo Trimarchi França

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