A indústria automotiva nunca precisou tanto de cadeias de suprimentos resilientes. Depois de crises logísticas, escassez de componentes, conflitos geopolíticos e da aceleração da eletrificação, muitas empresas descobriram que eficiência, sozinha, já não é suficiente. É justamente nesse contexto que o MMOG/LE voltou ao centro das estratégias da cadeia automotiva.
Durante muitos anos, diversas empresas enxergaram o MMOG/LE (Materials Management Operations Guideline/Logistics Evaluation) apenas como uma avaliação exigida por algumas montadoras. Essa visão está mudando rapidamente.
As recentes publicações da AIAG e da Odette mostram que o MMOG/LE passou a ocupar um papel ainda mais estratégico. A preocupação deixou de ser apenas “entregar no prazo” e passou a ser garantir a resiliência de toda a cadeia de suprimentos.
O MMOG/LE V6 (versão atualmente em vigor) evoluiu para incorporar temas que refletem a realidade atual das organizações, como transformação digital, planejamento de capacidade, gestão de crises, cibersegurança, sustentabilidade (ESG) e maior visibilidade da cadeia de fornecedores. O objetivo é permitir que fabricantes e fornecedores identifiquem riscos antes que eles impactem a produção.
Outro movimento importante é o incentivo para que empresas utilizem o modelo não apenas em suas próprias operações, mas também em sua base de fornecedores. Essa abordagem fortalece toda a cadeia produtiva, reduz riscos de interrupções e melhora a previsibilidade do abastecimento.
Implementar o MMOG/LE de forma estruturada significa aprimorar processos de planejamento de materiais, logística, compras e relacionamento com fornecedores, reduzindo estoques, fretes emergenciais, retrabalhos e paradas de produção.
Mais do que uma ferramenta de avaliação, o guideline tornou-se um modelo de excelência para a gestão da cadeia de suprimentos. Em um mercado cada vez mais global e competitivo, organizações que investem em processos logísticos robustos ganham agilidade, reduzem riscos e fortalecem sua competitividade.
A boa notícia é que preparar-se para esse cenário não depende apenas de tecnologia. Depende, principalmente, de processos bem estruturados, equipes capacitadas e uma visão integrada de toda a cadeia de suprimentos.
Tive a oportunidade de participar, representando o Setec Consulting Group – parceiro da AIAG para capacitação em MMOG/LE na América Latina – das discussões conduzidas pela Odette para a validação do MMOG-LE/NP, plataforma que já contabiliza mais de 150 mil avaliações, reúne mais de 10 mil contas, conta com a participação de 70 países, contempla cerca de 14 mil fábricas e possui mais de 30 mil usuários ativos. Esses números demonstram a ampla adoção da metodologia pela cadeia automotiva mundial.
A plataforma e a própria metodologia agregam tanto valor que empresas não automotivas estão começando a adotá-las como referência para suas próprias cadeias de suprimentos. Mais uma vez a indústria automotiva é pioneira em metodologias e sistemas que extrapolam a bolha motorizada para outros setores.
Empresas que utilizam o MMOG/LE apenas para atender a uma exigência de clientes capturam apenas parte do seu potencial. Quando utilizado como ferramenta efetiva de gestão, ele se transforma em um instrumento de gestão de riscos, aumento da resiliência e fortalecimento da competitividade. As empresas que começarem a jornada agora estarão mais preparadas para enfrentar as transformações da cadeia automotiva dos próximos anos.
Especialistas em cadeia de suprimentos automotiva da Europa e dos EUA já estão trabalhando no MMOG/LE V7, garantindo que a ferramenta continue a refletir os conceitos e práticas mais recentes de SCM (Gestão da Cadeia de Suprimentos).
As melhorias planejadas refletem tendências mais amplas do setor, incluindo a crescente digitalização em todos os níveis, as necessidades de segurança cibernética, cadeias de suprimentos de vários níveis mais complexas e os requisitos de sustentabilidade e conformidade cada vez mais rigorosos.
A evolução para a versão 7 demonstra que o MMOG/LE continua sendo uma metodologia viva, acompanhando as transformações da indústria e antecipando os desafios das cadeias globais de suprimentos. Tudo indica que a versão 7 será disponibilizada no segundo semestre de 2026.