Uma situação apareceu repetidamente durante uma mentoria realizada pela Setec sobre MASP, 8D e A3: muitas empresas conhecem as ferramentas, mas ainda encontram dificuldade para chegar à verdadeira causa raiz.
A dúvida mais frequente foi sobre o Diagrama de Ishikawa. Afinal, quando uma hipótese deixa de ser apenas uma possibilidade e passa a ser considerada a causa raiz?
A resposta é simples: no Ishikawa não existem causas raiz. Existem causas potenciais.
Esse é um erro comum. Muitas equipes reúnem especialistas, fazem um brainstorming e preenchem rapidamente todos os “espinhos” do diagrama. O resultado costuma ser uma lista enorme de hipóteses, mas pouca objetividade na investigação.
O caminho mais eficiente é outro.
Antes mesmo de construir o Ishikawa, é fundamental observar o processo no gemba, mapear as variáveis dos 6Ms (Máquina, Método, Material, Mão de obra, Medição e Meio Ambiente) e coletar dados. Somente as variáveis que realmente apresentaram comportamento diferente durante a ocorrência do problema devem seguir para análise.
Essa abordagem reduz o número de hipóteses e direciona a investigação para aquilo que realmente pode explicar o desvio.
Outro tema bastante discutido foi o tratamento de problemas intermitentes. Quando uma ação parece resolver o problema, mas ele volta dias ou semanas depois, normalmente isso indica que a verdadeira causa raiz ainda não foi eliminada. Nesse caso, a recomendação é validar a relação causa-efeito antes de concluir a investigação.
Também ficou clara a diferença entre contenção e ação corretiva. Inspeção 100%, bloqueio de lotes ou verificações adicionais são importantes para proteger o cliente, mas não eliminam a origem do problema. A ação corretiva só acontece quando a causa raiz é comprovada e tratada definitivamente.
Em resumo, MASP, 8D e A3 não são apenas formulários a serem preenchidos. São metodologias estruturadas para tomada de decisão baseada em evidências.
Quanto mais dados forem utilizados antes do Ishikawa, maior será a chance de encontrar rapidamente a verdadeira causa raiz, reduzir retrabalhos, eliminar inspeções desnecessárias e aumentar a estabilidade dos processos.
Sua empresa ainda utiliza o Ishikawa apenas como uma sessão de brainstorming? Talvez seja o momento de transformar hipóteses em evidências e tornar a análise de problemas muito mais assertiva.