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A inteligência artificial está mudando a qualidade, mas quem audita o algoritmo?

  • agosto 13, 2026

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Durante décadas, a qualidade automotiva foi estruturada para controlar processos: medir características, analisar variações, identificar causas e implementar ações corretivas. Com a inteligência artificial entrando nas inspeções, análises de dados e decisões de engenharia, essa lógica começa a mudar.

A agenda do AIAG Quality Summit 2026 oferece uma indicação clara dessa transformação. O evento reunirá temas como inteligência artificial aplicada à inspeção visual, análise de causa, APQP, PPAP, PFMEA, MSA, SPC, 8D e avaliação de documentos de fornecedores.

A questão central, porém, não é simplesmente usar inteligência artificial. É garantir a qualidade da própria inteligência artificial.

Um sistema tradicional de verificação de atributos visuais verifica uma peça com base em parâmetros definidos previamente. Já um sistema apoiado por IA aprende a reconhecer padrões a partir de dados e imagens. Isso pode tornar a inspeção mais rápida e capaz de detectar defeitos complexos. Entretanto, surgem riscos que os controles tradicionais nem sempre conseguem capturar:

  • Dados de treinamento da IA incompletos ou tendenciosos;
  • Alteração gradual do desempenho do modelo treinado;
  • Mudanças de software sem controle adequado;
  • Dificuldade de explicar por que determinada peça foi aprovada ou rejeitada;
  • Ausência de critérios formais para revalidar o sistema.

A utilização da IA, portanto, não elimina a necessidade de MSA, rastreabilidade ou validação. Ao contrário: amplia essa necessidade. Quem controla as mudanças do algoritmo? Se um dispositivo de medição é ajustado, calibrado ou substituído, a organização registra a mudança e avalia seus efeitos. O mesmo princípio precisa ser aplicado ao algoritmo.

As empresas deverão saber responder:

  • Qual versão do modelo estava em uso quando a peça foi inspecionada?
  • Quais dados foram utilizados em seu treinamento?
  • Quem aprovou a alteração?
  • Como foi demonstrada a capacidade de detectar defeitos?
  • Existe monitoramento para identificar perda de desempenho?
  • O resultado pode ser reproduzido e auditado?

O maior risco talvez seja acreditar que a inteligência artificial produz respostas objetivas e infalíveis. Um algoritmo pode acelerar análises, encontrar correlações e apoiar decisões, mas seu resultado depende da qualidade dos dados, dos critérios definidos e da supervisão humana.

A próxima evolução da qualidade automotiva não será apenas digital. Será uma evolução de governança.

Antes de ampliar o uso da IA, as organizações precisam estabelecer responsabilidades, critérios de validação, controle de versões, monitoramento de desempenho e evidências auditáveis. Afinal, quando um algoritmo passa a decidir se um produto está conforme, ele também passa a fazer parte do sistema de gestão da qualidade.

Referência: AIAG Quality Summit 2026 – agenda oficial

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Foto de Jeannette Galbinski

Jeannette Galbinski

Doutora em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Master of Science em Qualidade e Confiabilidade pelo Technion Institute of Technology. Graduada em Estatística pela USP, com especialização em Administração Industrial pela Fundação Vanzolini. Master Black Belt e consultora internacional especialista na implementação de Ferramentas e Sistemas da Qualidade e projetos de Lean Seis Sigma. Diretora de Marketing do Escape60.
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