Outra discussão atravessou praticamente todo o BX Summit.
Disponibilizar tecnologia não significa transformar uma organização.
E muito menos gerar valor.
O painel sobre Inteligência Artificial mostrou que adoção depende de um sistema muito mais amplo. Letramento, identificação de casos de uso, dados, integração, segurança da informação, governança e segurança psicológica precisam evoluir simultaneamente.
Comprar licenças é provavelmente a parte mais simples da jornada.
Uma pessoa pode receber acesso ao melhor modelo de IA disponível e continuar realizando seu trabalho exatamente como fazia anteriormente. Nesse cenário, a tecnologia mudou, mas o sistema de trabalho permaneceu intacto.
O ganho real aparece quando processos, decisões e papéis são redesenhados ao redor das novas capacidades.
O workshop da Practia com a Automation Anywhere levou essa discussão para a governança.
Com Citizen Development, agentes de IA e automação distribuída, cada vez mais soluções poderão nascer próximas dos processos. Isso aumenta velocidade e capacidade de inovação, mas também cria novos riscos.
Sem arquitetura, surgem redundâncias, Shadow IT, problemas de integração, soluções difíceis de manter e benefícios que ninguém consegue mensurar.
Centralizar tudo também não funciona. Cria filas, dependência dos especialistas e lentidão.
O modelo mais promissor combina movimentos top down e bottom up.
A liderança estabelece plataformas, prioridades, regras, padrões de segurança e direcionadores de valor. As equipes identificam oportunidades, experimentam e desenvolvem soluções próximas da realidade operacional.
Autonomia dentro de limites claros.
Esse modelo exige novas competências de quem trabalha com Excelência Operacional.
Lean, Six Sigma, estatística, processos e estratégia continuam importantes. Mas dados, IA, automação, arquitetura, Gestão da Mudança e desenvolvimento de pessoas entram definitivamente na mesma conversa.
O próprio DMAIC pode evoluir nesse ambiente.
Agentes podem apoiar a consolidação da Voice of Customer, exploração de dados, levantamento de hipóteses, preparação de experimentos, identificação de causas potenciais, elaboração de controles, documentação e recuperação de conhecimento de projetos anteriores.
É o que tenho chamado de AI Driven DMAIC.
A lógica não é entregar o método para a máquina.
É aumentar a capacidade de quem utiliza o método.
Imagine agora esse raciocínio aplicado ao escritório inteiro de Excelência Operacional.
Uma oportunidade é registrada. A IA procura problemas semelhantes, recupera projetos anteriores, identifica especialistas internos, sugere dados relevantes e ajuda a estruturar o problema.
Durante o projeto, agentes apoiam análises e registram conhecimento.
Depois da implementação, benefícios são acompanhados automaticamente e os aprendizados retornam para a memória organizacional.
Cada novo projeto começa sabendo mais do que o anterior.
Essa combinação entre método, tecnologia e conhecimento pode mudar profundamente a produtividade da função de melhoria.
Mas existe um componente que não pode ser negligenciado.
Gestão da Mudança.
Os debates do BX Summit reforçaram que resistência não significa simplesmente desconhecimento. Questões de identidade profissional, confiança, autoria, relações humanas, segurança e percepção de perda podem influenciar fortemente a adoção.
Arthur Igreja trouxe uma provocação particularmente interessante nesse ponto. Não podemos pressupor que novas gerações adotarão automaticamente Inteligência Artificial simplesmente porque cresceram cercadas de tecnologia.
Ser digital não significa aceitar qualquer transformação digital.
Por isso, liderar a transformação exigirá algo além de treinamento técnico.
Será necessário compreender o impacto da mudança sobre as pessoas.
É exatamente nessa interseção entre tecnologia e comportamento que o profissional de Excelência Operacional pode assumir um papel ainda mais relevante.
Não competindo com a IA.
Orquestrando pessoas, métodos e tecnologia para produzir valor.
Um convite para continuar essa conversa
O BX Summit acontece em um dia.
As discussões que ele provoca não precisam terminar nele.
Criamos o BX Hub justamente para manter essa comunidade conectada ao longo do ano, reunindo profissionais que trabalham com Business Excellence, Lean, Six Sigma, Qualidade, Transformação, Inteligência Artificial, Gestão da Mudança e desenvolvimento organizacional.
A proposta é simples.
Continuar compartilhando experiências reais, cases, provocações, métodos e aprendizados entre pessoas que estão enfrentando esses desafios dentro das organizações.
Se você esteve no BX Summit, o BX Hub é uma forma de continuar a conversa.
Se não conseguiu participar, é uma oportunidade de entrar nessa comunidade e acompanhar o que estamos construindo.
Porque talvez a principal mensagem deixada pelo BX Summit 2026 seja justamente esta.
Excelência Operacional não é mais apenas melhorar aquilo que existe.
É desenvolver continuamente a capacidade da organização de transformar problemas, conhecimento, pessoas e tecnologia em valor.
Nos vemos no BX Hub!
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