“O instrumento está calibrado.” A resposta parece encerrar qualquer discussão sobre a confiabilidade de uma medição. Mas será que encerra?
Imagine dois operadores medindo a mesma peça com o mesmo instrumento calibrado. Um aprova. O outro reprova. O problema está na peça, no equipamento ou na forma de medir?
É justamente essa investigação que o MSA, ou Análise dos Sistemas de Medição, ajuda a realizar.
Calibração e MSA respondem a perguntas diferentes
A calibração estabelece, sob condições especificadas, a relação entre as indicações do instrumento e valores de referência, considerando as incertezas envolvidas. Ela não equivale, por si só, à aprovação do instrumento para qualquer aplicação. Referência: Vocabulário Internacional de Metrologia.
Já o MSA avalia o sistema de medição na aplicação em que será utilizado. Além do instrumento, entram nessa análise operadores, métodos, dispositivos de fixação, peças e condições ambientais.
Um equipamento pode apresentar resultados adequados na calibração e, ainda assim, não oferecer desempenho suficiente para controlar determinada característica na produção.
Onde a variação pode estar escondida?
A força aplicada pelo operador, o posicionamento da peça, a temperatura e a interpretação do procedimento podem alterar o resultado.
O estudo de repetibilidade e reprodutibilidade, conhecido como R&R, ajuda a avaliar a variação nas medições repetidas e as diferenças associadas às condições estudadas, como a troca de operadores.
Mas MSA não se resume ao R&R. Também é importante avaliar aspectos como tendência, estabilidade, linearidade e resolução, conforme a aplicação. O estudo precisa representar as condições reais de uso, não apenas uma situação cuidadosamente preparada para obter aprovação. Referência: NIST — estudos de sistemas de medição.
Medição ruim custa dinheiro
Quando o sistema não distingue adequadamente a variação das peças da própria variação da medição, as decisões ficam comprometidas.
Peças boas podem ser descartadas. Peças inadequadas podem ser liberadas. Processos podem receber ajustes desnecessários. Até uma aparente melhoria nos indicadores pode ser apenas uma mudança na forma de medir.
Por isso, o MSA não deveria ser tratado como uma planilha preenchida para atender à auditoria. Seu objetivo é sustentar decisões confiáveis sobre produto e processo.
Antes de perguntar se o processo é capaz, vale perguntar se o sistema de medição consegue avaliá-lo.
Seu instrumento está calibrado. Mas você pode confiar nas decisões tomadas com ele?
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