Durante muito tempo, a IATF foi formada predominantemente por fabricantes e associações europeias e norte-americanas. A presença chinesa muda esse equilíbrio.
A Geely tornou-se membro votante em 2021, sendo a primeira montadora asiática a integrar a International Automotive Task Force. Em março de 2026, foi a vez da BYD. Três meses depois, em junho, a Chery também passou a fazer parte da organização.
Não se trata apenas de obter uma certificação. Como membros da IATF, essas montadoras participam das discussões relacionadas à evolução do sistema global de gestão da qualidade automotiva.
As chinesas passam a participar da construção das regras
A entrada das três empresas acompanha sua expansão internacional. Ao instalar fábricas, desenvolver fornecedores e entrar em novos mercados, elas precisam assegurar maior consistência entre produtos e processos realizados em diferentes países.
A IATF destacou que a BYD é certificada e exige de seus fornecedores a certificação IATF 16949. A empresa está desenvolvendo seus próprios requisitos específicos de cliente.
A Geely já possui CSR publicados, além de um guia para utilização de seus indicadores e scorecards. Esses documentos incluem requisitos relacionados a segurança do produto, gestão de mudanças, rastreabilidade, APQP, FMEA e controle de fornecedores.
A Chery, por sua vez, informou aplicar a IATF 16949 em suas operações industriais e em sua cadeia de fornecimento. Sua entrada deverá ampliar a formalização dos requisitos utilizados globalmente pela companhia.
O que muda para a cadeia brasileira?
Atender a uma fabricante chinesa não significa trabalhar com menos exigências. A IATF 16949 permanece como base comum, mas cada montadora pode acrescentar requisitos, sistemas e critérios próprios.
Os fornecedores deverão estar preparados para:
identificar e atualizar requisitos específicos de clientes;
interpretar novos scorecards e indicadores de desempenho;
dominar portais e processos de submissão;
assegurar rastreabilidade e controle de mudanças;
integrar APQP, PPAP, FMEA, MSA e SPC;
desdobrar requisitos aos fornecedores de níveis inferiores.
A nacionalização das montadoras chinesas abre novas oportunidades, mas também aumenta a complexidade da gestão de requisitos.
A principal mudança talvez seja simbólica: as fabricantes chinesas deixaram de ser apenas usuárias dos padrões internacionais. Agora também ocupam um lugar na mesa em que o futuro da qualidade automotiva é discutido.
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Referências: membros oficiais da IATF, entrada da BYD, entrada da Chery e CSR da Geely