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COPILOTOS NÃO CORRIGEM PROCESSOS RUINS SOZINHOS

  • julho 27, 2026

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A adoção de IA tem criado a expectativa de que problemas de produtividade, qualidade e experiência do cliente possam ser solucionados rapidamente pela tecnologia. Essa expectativa ignora uma restrição central. A IA opera sobre processos, regras, dados e comportamentos já existentes.

Quando o processo é inconsistente, a tecnologia tende a reproduzir a inconsistência em maior velocidade. Quando os dados são incompletos, a resposta gerada pode ser convincente, mas pouco confiável. Quando não existem critérios claros de decisão, o copiloto apenas reorganiza ambiguidades.

Automatizar um processo mal desenhado não elimina desperdícios. Pode apenas transformá-los em desperdícios digitais.

Um fluxo com aprovações desnecessárias, retrabalho recorrente, responsabilidades indefinidas e excesso de exceções continuará apresentando esses problemas após a introdução da IA. A diferença é que parte das atividades poderá ser executada mais rapidamente, sem que a causa estrutural tenha sido resolvida.

Por isso, a implantação de copilotos deve começar pela compreensão do trabalho real. É necessário mapear o fluxo de valor, identificar clientes e fornecedores, compreender as entradas, observar as decisões críticas e reconhecer os pontos nos quais ocorrem espera, retrabalho, falhas ou perda de informação.

Essa análise evita que a organização automatize etapas que deveriam ser eliminadas. Também reduz o risco de criar uma camada tecnológica sofisticada sobre processos que não possuem padrão, dono ou objetivo claramente definido.

A qualidade dos dados representa outro ponto crítico. Sistemas corporativos frequentemente apresentam duplicidades, campos incompletos, classificações divergentes e regras inconsistentes. Um copiloto conectado a essas fontes pode ampliar a capacidade de consulta, mas não corrige automaticamente a origem dos erros.

Antes de utilizar IA para recomendar ações, prever comportamentos ou gerar análises, a empresa precisa avaliar a integridade, a disponibilidade e a representatividade dos dados. Isso envolve estabelecer responsáveis, definições comuns, regras de atualização e controles de acesso.

O mesmo princípio se aplica à análise de causa. Um copiloto pode sugerir explicações plausíveis para um problema, mas plausibilidade não significa comprovação. Respostas bem redigidas podem criar uma falsa sensação de segurança, principalmente quando a organização não possui disciplina para verificar hipóteses.

O Lean Seis Sigma oferece a estrutura necessária para essa validação. A metodologia orienta a formulação do problema, a medição do desempenho, a análise das causas, o teste das soluções e o controle dos resultados. A IA pode acelerar cada uma dessas etapas, mas não elimina a necessidade de executá-las.

A implantação também exige clareza sobre os limites da automação. Existem atividades que podem ser integralmente apoiadas por copilotos, como síntese de informações, classificação de textos, elaboração de documentos e consulta a bases de conhecimento. Outras exigem supervisão humana, principalmente quando envolvem decisões financeiras, pessoas, segurança, conformidade ou impacto direto sobre clientes.

Uma arquitetura madura diferencia recomendação, decisão e execução. O copiloto pode gerar uma recomendação, o profissional pode avaliar seu mérito e o sistema pode executar a ação após a aprovação adequada. Essa separação reduz riscos e preserva a rastreabilidade.

A governança não deve ser interpretada como uma barreira à inovação. Ela cria condições para que a inovação seja escalável. Sem regras sobre segurança, dados, validação e responsabilização, iniciativas de IA permanecem restritas a experimentos isolados ou passam a gerar riscos difíceis de controlar.

Organizações mais preparadas não começam perguntando em quais processos podem utilizar IA. Primeiro, identificam onde existe perda relevante de valor, qual causa precisa ser tratada e quais decisões poderiam ser melhoradas. A tecnologia é então selecionada de acordo com o problema, e não o contrário.

A combinação entre Lean Seis Sigma e Inteligência Artificial cria uma lógica mais consistente de transformação. O Lean elimina desperdícios, reduz variação e estabiliza processos. A IA amplia velocidade, acesso ao conhecimento e capacidade de análise.

Copilotos não substituem processos bem geridos. Eles potencializam sua execução. Quanto melhor o processo, os dados e a governança, maior será o valor gerado pela Inteligência Artificial.

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Gilberto Strafacci

Vice-Presidente do Setec Consulting Group. Cientista de Dados, Especialista em Inovação e Gestão, Engenheiro pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Certified Master Black Belt, Certified Scrum Master, Certified Agile Coach, Certified Kanban Professional, Certified Agile Trainer, Certified RPA COE Manager, RPA Developer e RPA Business Analyst, Certified Manager 3.0, Certified LEGO Serious Play Facilitator.
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