Conversas difíceis são inevitáveis no ambiente corporativo. Questões ligadas a desempenho, desalinhamentos estratégicos, resistências culturais ou mesmo conflitos pessoais exigem diálogos que costumam gerar desconforto, defesas e até rupturas. O desafio central é criar condições para que essas interações sejam produtivas, e não apenas confrontos. É nesse ponto que metodologias como o LEGO® Serious Play® (LSP) e o MAPPE® da Setec oferecem caminhos concretos para transformar tensão em aprendizado coletivo.
O LSP surgiu no final da década de 1990, fruto da parceria entre Johan Roos, Bart Victor e a própria LEGO, inspirado pelo construtivismo de Piaget e o construcionismo de Papert. O método parte da premissa de que o conhecimento é construído ativamente, mas se fortalece quando externalizado em modelos tangíveis. Assim, em uma conversa difícil, os participantes não apenas discutem ideias abstratas, mas constroem representações físicas que simbolizam dilemas, conflitos ou bloqueios organizacionais.
A teoria de Piaget mostra que o aprendizado ocorre por meio de assimilação e acomodação, ou seja, pela interação entre novas informações e estruturas cognitivas prévias. Ao construir modelos com LEGO®, o indivíduo externaliza sua visão de mundo, permitindo que outros a compreendam e questionem. Isso reduz ruídos e facilita ajustes de percepção. Nas conversas difíceis, esse processo gera empatia, pois cada modelo funciona como uma janela para a perspectiva do outro.
Papert complementa essa visão ao afirmar que aprendemos melhor quando criamos algo compartilhável e palpável. No LSP, os modelos atuam como “objetos de reflexão compartilhada”, deslocando a energia do conflito direto para a análise do artefato. Em vez de atacar ou defender pessoas, o grupo passa a discutir metáforas visuais que simbolizam as dificuldades. Esse deslocamento suaviza tensões e aumenta a abertura para ouvir.
Outro pilar do LSP é a inclusão estrutural: todos constroem, todos falam, todos têm voz. Em contextos de conversas difíceis, isso é essencial para equilibrar poder, evitar silenciamentos e dar espaço para percepções normalmente abafadas. Aliado ao uso de metáforas — como muros, torres instáveis ou peças bloqueando o caminho — o método permite que críticas e desconfortos sejam discutidos indiretamente, sem expor pessoas de forma ameaçadora.
Se o LSP atua como mediador simbólico, o MAPPE® da Setec oferece uma lente objetiva para avaliar perfil e performance de equipe em conversas e dinâmicas. Enquanto o LSP cria o espaço de expressão, o MAPPE® observa o comportamento coletivo em ação: liderança, colaboração, comunicação, gestão de tempo e eficácia de execução. Essa combinação torna a análise mais rica, porque traduz não apenas o que é dito, mas como a equipe realmente interage sob pressão.
O diferencial do MAPPE® é justamente integrar comportamento (princípios) e resultado (utilidade). Em uma conversa difícil, isso significa enxergar não apenas as ideias que emergem, mas também como foram construídas: houve escuta ativa? a equipe distribuiu liderança? alguém monopolizou decisões? Essa avaliação prática vai além de perfis individuais como MBTI ou DISC, capturando a dinâmica viva que sustenta ou mina o diálogo coletivo.
A psicologia organizacional mostra que conversas de qualidade dependem de segurança psicológica, conceito desenvolvido por Amy Edmondson. É ela que garante que os membros da equipe sintam-se seguros para falar, propor, discordar e até errar sem medo de retaliação. Nesse ponto, LSP e MAPPE® se complementam de forma exemplar.
O LSP promove segurança psicológica ao longo dos quatro estágios descritos por Timothy Clark:
- Inclusão: todos constroem e compartilham seus modelos, garantindo voz igualitária.
- Aprendizado: erros e ajustes são projetados no modelo, e não na pessoa.
- Colaboração: cada participante apresenta suas ideias de forma visível e legitimada.
- Desafio: os modelos coletivos criam espaço para discordâncias construtivas, sem ataques pessoais.
Já o MAPPE® fortalece essa segurança ao oferecer feedback estruturado sobre como a equipe se comporta no processo: se houve escuta ativa, se o poder foi distribuído, se houve abertura para divergências. Ou seja, transforma percepções subjetivas em indicadores observáveis, dando clareza e legitimidade à reflexão coletiva.
Juntos, eles promovem um ciclo virtuoso: expressão simbólica (LSP), reflexão coletiva (debriefing), avaliação objetiva (MAPPE®) e aprendizado aplicável no dia a dia.
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